A vida acontece no movimento. Só alcança o destino quem tem coragem de atravessar o processo.
Dois mil e vinte e seis já está acontecendo. E, com ele, chegam promessas de recomeços, listas de intenções e novos planos. Um novo ciclo sempre nos dá a sensação de que agora tudo vai ser diferente. Mas um novo ano vai muito além da troca do calendário. Ele nos confronta com algo mais profundo: o rumo que estamos dando à nossa própria existência.
Você já se perguntou, com genuína transparência: “Qual é o meu propósito de vida?”
Como estudiosa do desenvolvimento humano, da neurociência e observadora social, percebo um padrão cada vez mais evidente: pessoas mais informadas, produtivas e conectadas — e, ao mesmo tempo, mais exaustas, ansiosas e desconectadas de si mesmas e do que realmente importa.
Cada novo ano é um convite para fugirmos das distrações e olharmos para dentro, para o jardim secreto da alma: nossa saúde mental, emocional e espiritual. É ali que nascem as decisões que moldam nossa história. É ali que percebemos se estamos conectados ao que verdadeiramente importa… ou apenas funcionando.
Vivemos a era da hiperconexão e o vazio da presença. Conectados a telas, agendas, cobranças e ruídos. Desconectados do corpo, das emoções, do silêncio, de Deus, do outro e de nós mesmos. Corremos para dar conta de tudo, menos de nós. Respondemos mensagens, mas ignoramos sinais internos. Cumprimos tarefas, mas adiamos sonhos.
Mas a vida não acontece no depois. Ela é AGORA.
A neurociência confirma: o cérebro se reorganiza no presente. Emoções se ressignificam no presente. Novos caminhos se constroem no presente. Cura, consciência e transformação não estão no passado nem no futuro — elas acontecem quando temos coragem de habitar o Agora.
O Agora não é um conceito bonito. É um lugar interno. Um espaço de presença onde paramos de fugir da vida. Estar no Agora é regular emoções, ampliar a consciência e integrar razão e sentimento.
Muita gente define metas, mas sem presença. E metas sem presença viram cobrança. Propósito nasce do encontro. Encontro consigo. Com a própria história. Com aquilo que você foi criada para ser. Propósito não é o que você quer ter. É quem você decide se tornar.
Atravessar o processo também é propósito. Porque, muitas vezes, o sentido não está no ponto de chegada, mas na pessoa que você se torna enquanto caminha. Isso é muito forte!
O Agora não exige respostas prontas. Ele só pede disponibilidade para começar a respirar com mais consciência, a escutar a si mesmo e fazer escolhas mais alinhadas. Que este novo tempo seja menos sobre se cobrar e mais sobre se cuidar. Menos correria e mais escuta das suas emoções, dos limites e dos desejos, e daquela voz interna que, acolhida e respeitada, traz direção, consolo e verdade para todas as áreas da vida.
Porque, no fim, a pergunta continua ecoando, simples e transformadora: Se não AGORA… quando?

Vanusa Santos
Vanusa Santos é Terapeuta Especialista no Universo Emocional Feminino, palestrante, pós-graduada em Desenvolvimento Humano & Neurociência. Autora dos livros “Se não AGORA, quando?” e “A juventude nunca fica órfã”.
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