Muitas pessoas acreditam que estão vivendo suas próprias escolhas.
Mas será?
Ou estamos apenas repetindo padrões que nunca paramos para observar?
Na semana passada, escrevi sobre como grande parte das pessoas acredita que está se comunicando, quando na verdade apenas reage. Reage às circunstâncias, aos estímulos, às dores, aos medos, às narrativas que absorveu ao longo da vida.
Mas existe uma camada ainda mais profunda dessa reflexão.
Porque, antes de nos comunicarmos com o mundo, existe uma comunicação acontecendo dentro de nós.
E talvez a pergunta mais importante seja: Quem está falando dentro de você?
A voz da sua consciência?
Ou os ecos de padrões que foram sendo construídos ao longo da sua jornada?
Muitas vezes, chamamos de personalidade aquilo que, na verdade, é apenas repetição.
Chamamos de destino aquilo que nunca observamos.
Chamamos de “meu jeito” aquilo que talvez seja apenas um mecanismo automático de proteção.
A forma como percebemos a vida interfere diretamente na forma como sentimos, reagimos, escolhemos e nos relacionamos.
Se eu acredito que preciso me defender o tempo todo, minha comunicação será defensiva.
Se eu acredito que não sou suficiente, minha comunicação carregará insegurança, medo ou necessidade de aprovação.
Se eu acredito que o mundo é um lugar hostil, minha postura diante da vida será de tensão constante.
Percebe?
A comunicação não começa na fala.
Ela começa na percepção.
E a percepção é influenciada pelos filtros internos que carregamos.
Por isso, despertar não é apenas aprender a se comunicar melhor.
Despertar é começar a observar.
Observar pensamentos.
Observar emoções.
Observar reações automáticas.
Observar as narrativas internas que silenciosamente dirigem escolhas.
Porque aquilo que não observamos tende a nos conduzir.
E quando não percebemos isso, muitas vezes acreditamos que a vida simplesmente está acontecendo conosco.
Mas será que está?
Ou será que estamos vivendo no piloto automático de padrões que nunca foram questionados?
A boa notícia é que o despertar começa exatamente quando nos tornamos observadores.
Não para entrar em culpa.
Não para negar nossa história.
Mas para recuperar presença.
Porque existe uma enorme diferença entre viver reagindo… e viver escolhendo conscientemente.
Talvez protagonismo não seja controlar tudo.
Talvez protagonismo seja desenvolver consciência suficiente para perceber de onde estamos criando nossa experiência.
Na Nova Mídia, acreditamos que comunicar vai muito além de emitir mensagens.
Comunicar é expressar consciência.
E talvez a transformação que tanto buscamos no mundo comece exatamente aí: na coragem de observar aquilo que, até então, estava invisível dentro de nós.
Porque entre a reação e a consciência… existe um observador.
E talvez seja ele quem precisa finalmente assumir a direção.

Taty Dal Bem
Taty Dal Bem é ativadora de pessoas e culturas e criadora da GenTV / Nova Mídia.
Desde 2011, desenvolve estudos e práticas sobre comunicação, consciência e construção humana, a partir da experiência real, da observação contínua e da vivência cotidiana.
Seu trabalho se concentra na curadoria de conteúdos, na criação de espaços colaborativos e na construção de uma comunicação íntegra, que reconhece o impacto das palavras, imagens e narrativas na vida das pessoas e na sociedade.
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