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Os presentes que não se compram - por Taty Dal Bem

Publicada em: 03/06/2026 17:39 -

Na minha última coluna, escrevi sobre o tempo. Sobre como passamos boa parte da vida correndo, organizando agendas, cumprindo compromissos e, muitas vezes, esquecendo de estar verdadeiramente presentes dentro da própria vida. Curiosamente, poucos dias depois, vivi algo que me fez compreender essa reflexão de uma forma ainda mais profunda.

Nesta semana, fiz aniversário.

E imaginei que seria apenas mais um dia. 

Mas fui surpreendida.

Pessoas apareceram.

Recebi ligações.

Mensagens.

Abraços.

E, principalmente, presenças que eu não esperava.

Meus pais vieram.

Minha família veio.

E o que mais ficou na minha memória não foi a comemoração em si.

Foi a simplicidade daquele momento.

As risadas.

As conversas.

O jeito como tudo aconteceu.

Inclusive o bolo.

Que chegou meio mole, quase se desmontando no caminho, enquanto meu pai tentava segurá-lo para que chegasse inteiro.

E talvez seja justamente por isso que essa cena ficou tão viva dentro de mim.

Porque ela não carregava perfeição.

Carregava amor.

Um amor simples.

Sem performance.

Sem produção.

Sem necessidade de impressionar.

Apenas pessoas que escolheram estar.

E isso me fez pensar.

Talvez estejamos vivendo uma época de muitos excessos.

Excesso de informação.

Excesso de velocidade.

Excesso de estímulos.

Mas, ao mesmo tempo, uma época em que gestos simples começam a se tornar raros.

O encontro.

A visita inesperada.

O café sem pressa.

A conversa sem objetivo.

A presença que não está tentando produzir nada.

Apenas compartilhar a vida.

E talvez seja exatamente por isso que esses momentos nos emocionem tanto.

Porque eles nos lembram de algo que, no fundo, sempre soubemos.

O que alimenta a alma não é o excesso.

É o vínculo.

É o afeto.

É sentir que alguém lembrou de você.

Que alguém reservou tempo.

Que alguém escolheu estar presente.

Em um mundo que valoriza tanto o fazer, talvez estejamos esquecendo o valor do estar.

E talvez uma das formas mais profundas de amor continue sendo a mesma de sempre:

a presença.

Não a presença virtual.

Não a presença apressada.

Mas aquela que diz silenciosamente:

“eu estou aqui.”

E, olhando para tudo o que vivi nesses dias, percebi que talvez as lembranças mais bonitas da vida não sejam construídas pelos grandes acontecimentos.

Elas nascem desses momentos simples que não podem ser comprados, planejados ou substituídos.

Momentos em que nos sentimos vistos.

Lembrados.

Amados.

Porque, no fim, existem coisas que o tempo leva.

Mas existem outras que ele revela.

E uma delas é que a presença continua sendo um dos presentes mais valiosos que podemos oferecer uns aos outros.

 

 

Taty Dal Bem

Taty Dal Bem é ativadora de pessoas e culturas e criadora da GenTV / Nova Mídia.

Desde 2011, desenvolve estudos e práticas sobre comunicação, consciência e construção humana, a partir da experiência real, da observação contínua e da vivência cotidiana.

Seu trabalho se concentra na curadoria de conteúdos, na criação de espaços colaborativos e na construção de uma comunicação íntegra, que reconhece o impacto das palavras, imagens e narrativas na vida das pessoas e na sociedade.

 

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LinkedIn: Taty Dal Bem

 

 

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