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Estamos perdendo a capacidade de nos encantar? - por Taty Dal Bem

Publicada em: 10/06/2026 18:04 -

Vivemos em uma época curiosa.

Nunca tivemos tanto acesso ao mundo.

Em poucos segundos, podemos conhecer lugares distantes, acompanhar acontecimentos em tempo real e acessar uma quantidade de informação que gerações anteriores jamais imaginaram.

Mas, ao mesmo tempo, uma pergunta me atravessa:

Será que estamos perdendo a capacidade de nos encantar?

Não falo de grandes acontecimentos.

Falo das pequenas coisas.

De um pôr do sol que já não paramos para observar.

De uma conversa que acontece enquanto nossos olhos continuam presos à tela.

De uma criança tentando mostrar algo importante enquanto nossa atenção está em outro lugar.

De um abraço recebido sem presença.

De uma refeição feita com pressa.

De uma flor que floresce sem ser percebida.

Talvez o maior desafio do nosso tempo não seja a falta de informação.

Talvez seja a falta de presença.

Porque, cercados por estímulos, corremos o risco de passar pela vida sem realmente vivê-la.

Vemos muito.

Mas observamos pouco.

Escutamos muito.

Mas ouvimos pouco.

Consumimos muito.

Mas nem sempre nos conectamos com aquilo que realmente importa.

E, pouco a pouco, aquilo que deveria ampliar nossa percepção pode acabar reduzindo nossa capacidade de sentir.

O encantamento não desaparece de uma vez.

Ele vai sendo substituído pela pressa.

Pela distração.

Pela necessidade constante de acompanhar tudo, responder tudo e estar em todos os lugares ao mesmo tempo.

Até que um dia percebemos que faz tempo que não nos emocionamos com algo simples.

Faz tempo que não paramos.

Faz tempo que não contemplamos.

Faz tempo que não sentimos.

E talvez seja justamente por isso que histórias verdadeiras continuam tocando tantas pessoas.

Quando encontramos alguém que transforma uma comunidade.

Quando conhecemos uma mulher que recomeçou depois de uma grande dor.

Quando vemos um empreendedor que escolheu gerar valor além do lucro.

Quando descobrimos iniciativas que funcionam.

Quando ouvimos histórias reais de coragem, solidariedade e superação.

Algo dentro de nós desperta.

Não porque estamos recebendo mais informação.

Mas porque estamos nos reconectando com possibilidades.

Com esperança.

Com humanidade.

Com a lembrança de que a vida continua acontecendo além das manchetes, dos algoritmos e do ruído cotidiano.

Talvez o encantamento não tenha desaparecido.

Talvez ele esteja esperando ser percebido.

Nas pessoas que fazem a diferença.

Nas iniciativas que geram impacto.

Nos exemplos que inspiram.

Nas pequenas atitudes que transformam realidades.

Porque aquilo que escolhemos iluminar também ajuda a construir a realidade que compartilhamos.

E talvez seja exatamente aí que mora o propósito de uma Comunicação Viva.

Não ignorar os desafios.

Não fechar os olhos para aquilo que precisa ser transformado.

Mas lembrar que existe vida, valor e esperança florescendo todos os dias — muitas vezes longe dos holofotes, esperando apenas ser percebidos.

Talvez o mundo não precise apenas de mais informação.

Talvez precise de mais conexão.

Mais presença.

Mais humanidade.

E talvez a verdadeira transformação comece quando voltamos a enxergar aquilo que a correria nos fez esquecer.

Aquilo que sempre esteve diante de nós.

Esperando apenas um olhar mais atento.

 

 

Taty Dal Bem

Taty Dal Bem é ativadora de pessoas e culturas e criadora da GenTV / Nova Mídia.

Desde 2011, desenvolve estudos e práticas sobre comunicação, consciência e construção humana, a partir da experiência real, da observação contínua e da vivência cotidiana.

Seu trabalho se concentra na curadoria de conteúdos, na criação de espaços colaborativos e na construção de uma comunicação íntegra, que reconhece o impacto das palavras, imagens e narrativas na vida das pessoas e na sociedade.

 

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LinkedIn: Taty Dal Bem

 

 

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