O Brasil vive um momento histórico na transição energética. Segundo dados do Balanço Energético Nacional 2025, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), e da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), o país registrou crescimento expressivo na geração de energia solar e eólica em 2026, com aumento de 25% em março. Atualmente, 88,2% da matriz elétrica brasileira já é composta por fontes renováveis, consolidando o país como líder latino-americano e referência mundial em energia limpa.
Como se divide a matriz elétrica brasileira
A matriz elétrica nacional é composta por cerca de 55% de hidrelétricas, 12% de solar fotovoltaica, 14% de eólica, 7% de biomassa, além de 12% de termelétricas (gás natural, carvão e óleo) e 2% de energia nuclear. Essa diversificação reduziu a dependência hídrica e fortaleceu a segurança energética.
Avanço da energia solar
A energia solar fotovoltaica vem puxando a expansão. Em 2025, foram adicionados 7,4 GW de nova capacidade, e em 2026 o setor ultrapassou marcas inéditas de produção. O barateamento dos painéis e os incentivos à geração distribuída em residências e comércios impulsionaram o crescimento.
Potencial da energia eólica
A energia eólica também segue em ritmo acelerado, especialmente no Nordeste, onde os ventos constantes garantem alta produtividade. Em 2024, a geração alcançou 107,7 TWh, com potência instalada de 29.550 MW. Projetos de eólica offshore já receberam licenças ambientais, abrindo caminho para exploração em alto-mar.
Comparativo internacional
O Brasil se destaca no cenário global:
- Brasil: 88% da matriz elétrica renovável; emissões de apenas 64,8 kg de CO₂/MWh.
- União Europeia: cerca de 40% renovável; emissões médias 280 kg de CO₂/MWh.
- Estados Unidos: 25% renovável; emissões 400 kg de CO₂/MWh.
- China: 30% renovável; emissões 700 kg de CO₂/MWh.
Isso significa que o setor elétrico brasileiro emite apenas 23% do que emite a Europa, 16% dos EUA e 8% da China por cada MWh produzido, consolidando o país como referência global em transição energética.
Para o presidente da EPE, Thiago Barral, os resultados confirmam o protagonismo brasileiro: “O Brasil tem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo. A expansão da solar e da eólica mostra que estamos preparados para liderar a transição energética global, atraindo investimentos e garantindo segurança para o futuro.”
Contexto histórico
Década de 1970: crise do petróleo levou o Brasil a investir em hidrelétricas e biocombustíveis (Proálcool).
Anos 2000: expansão da biomassa e início dos parques eólicos no Nordeste.
Última década: explosão da energia solar, com forte incentivo à geração distribuída em residências e empresas.
2026: consolidação da diversificação, reduzindo dependência hídrica e fortalecendo segurança energética.
Desafios e oportunidades
Apesar dos avanços, especialistas apontam desafios: ampliar linhas de transmissão para escoar energia do Nordeste e Centro-Oeste, investir em baterias de grande porte e hidrogênio verde para compensar a intermitência de solar e eólica, e garantir previsibilidade regulatória para atrair capital internacional.
O Brasil não apenas lidera a América Latina, mas figura entre os países com maior participação renovável do mundo, superando grandes economias. A combinação de hidrelétricas, solar e eólica coloca o país em posição privilegiada para enfrentar a crise climática e se tornar referência internacional em transição energética.
