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O futuro começa no colo de hoje - por Taty Dal Bem

Publicada em: 01/07/2026 17:13 -

Amanhã, meu neto Felipe completa seu primeiro ano de vida.

Enquanto observo seus primeiros passos, suas descobertas e a curiosidade com que começa a explorar o mundo, percebo que essa data desperta em mim uma pergunta que vai muito além da celebração de um aniversário.

Que mundo estamos preparando para esta geração?

Talvez esta seja uma das perguntas mais importantes do nosso tempo.

Vivemos um momento extraordinário da história.

Nunca tivemos tanto conhecimento.

Tanta tecnologia.

Tantas possibilidades.

Estamos entrando em uma nova era, marcada pela inteligência artificial, pela automação e por transformações que mudam, em poucos anos, a forma como aprendemos, trabalhamos e nos relacionamos.

Felipe pertence à primeira geração que crescerá convivendo naturalmente com tudo isso.

Para ele, muitas das tecnologias que hoje ainda nos surpreendem serão tão comuns quanto foram, para nós, a televisão, o computador ou o telefone celular.

Ao mesmo tempo, especialistas que estudam o futuro do trabalho e da sociedade apontam que competências como empatia, colaboração, criatividade, pensamento crítico e inteligência emocional serão cada vez mais essenciais.

E isso me faz perceber algo profundamente simbólico.

Quanto mais a tecnologia evolui, mais importante se torna aquilo que ela nunca poderá substituir.

A nossa humanidade.

Ao olhar para o Felipe, percebo que o futuro talvez não dependa apenas das ferramentas que seremos capazes de criar.

Dependerá, principalmente, dos valores que seremos capazes de preservar.

Espero que ele cresça em um mundo tecnologicamente extraordinário.

Mas espero, acima de tudo, que continue aprendendo o valor de um abraço.

De uma conversa sem pressa.

De um olhar que acolhe.

De uma mesa onde as pessoas ainda escolhem estar presentes umas para as outras.

Porque nenhuma tecnologia substituirá aquilo que faz uma criança sentir-se segura para crescer.

O amor.

O pertencimento.

O cuidado.

A presença.

Ao longo da história, foi a capacidade de cooperar que permitiu à humanidade atravessar desafios, construir comunidades e evoluir.

Talvez essa continue sendo a nossa maior força.

Não apenas desenvolver novas tecnologias.

Mas desenvolver seres humanos capazes de utilizá-las com consciência.

Talvez este seja o maior legado que possamos oferecer às próximas gerações.

Não apenas um mundo mais inteligente.

Mas um mundo mais humano.

Não apenas crianças preparadas para utilizar novas tecnologias.

Mas adultos capazes de ensinar aquilo que nenhuma máquina poderá transmitir.

A compaixão.

A empatia.

A integridade.

A cooperação.

O respeito.

E a capacidade de reconhecer humanidade no outro.

Enquanto observo Felipe, compreendo que ele representa muito mais do que o futuro da nossa família.

Ele representa o futuro que todos nós estamos ajudando a construir.

E isso transforma completamente a pergunta.

Talvez a questão já não seja apenas:

Como será o mundo em que nossas crianças viverão?

Talvez a pergunta mais importante seja:

Quem estamos nos tornando enquanto construímos esse mundo?

Porque o futuro não começa amanhã.

Ele começa em cada palavra que ensinamos.

Em cada exemplo que oferecemos.

Em cada vínculo que cultivamos.

Em cada escolha que fazemos quando ninguém está olhando.

Começa na forma como cuidamos uns dos outros.

Na maneira como educamos.

Naquilo que valorizamos.

Na humanidade que escolhemos viver todos os dias.

Talvez não possamos decidir todas as tecnologias que existirão daqui a vinte anos.

Mas podemos decidir quais valores caminharão até lá.

E talvez seja exatamente isso que as próximas gerações mais precisarão de nós.

Não apenas de inovação.

Não apenas de eficiência.

Não apenas de inteligência.

Mas de adultos que tenham coragem de preservar aquilo que sempre sustentou a vida.

Porque o futuro não será construído apenas pelas máquinas que criarmos.

Ele será construído, sobretudo, pelos seres humanos que escolhermos ser.

 

 

Taty Dal Bem

Taty Dal Bem é ativadora de pessoas e culturas e criadora da GenTV / Nova Mídia.

Desde 2011, desenvolve estudos e práticas sobre comunicação, consciência e construção humana, a partir da experiência real, da observação contínua e da vivência cotidiana.

Seu trabalho se concentra na curadoria de conteúdos, na criação de espaços colaborativos e na construção de uma comunicação íntegra, que reconhece o impacto das palavras, imagens e narrativas na vida das pessoas e na sociedade.

 

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