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Menos idade, mais história - por Cintia Luri Muranaga e Oota

Publicada em: 15/07/2026 12:57 -

"Menos idade, mais história." Foi essa frase que eu disse ao ouvir que meu carro era novo demais para ser tão rodado. Esse comentário abriu espaço para uma reflexão profunda: de que vale ter um carro apenas para ir do trabalho para casa, sem desfrutar do que a estrada e a vida têm a oferecer?

E, claro, não estou falando apenas de quilometragem.

Falo da roupa bonita guardada no armário à espera de uma "ocasião especial". Da louça nova que só sai da cozinha quando chega uma visita ilustre. Do tênis comprado no verão passado que continua na caixa porque está frio demais para ir ao parque.

Assim como a paisagem que corre através da janela do carro, a vida é uma passagem rápida. Tudo muda a cada instante. Então, por que não usufruir agora do que já está disponível?

O nosso grande erro é agir como se tivéssemos um tempo infinito.

Você pode estar sentada ao lado do seu filho, mas com a cabeça no trabalho. Pode jantar com seu esposo, mas passar a refeição inteira com os olhos colados na tela do celular. Pode viajar com a família, mas carregar o peso da preocupação com os boletos que vencerão na volta. O corpo está presente, mas a mente habita outro lugar.

Mais tarde, quando o cenário muda, nasce aquela dor em forma de frase: "Eu deveria ter aproveitado mais". O amanhã é uma promessa que ninguém pode garantir.

Há algum tempo, li um livro sobre os maiores arrependimentos das pessoas no leito de morte. No topo da lista estavam: viver para agradar aos outros em vez de seguir os próprios desejos; trabalhar em excesso e perder momentos preciosos com quem se ama; calar o que sente para evitar conflitos ou deixar de dizer "eu te amo"; afastar-se de amigos especiais; e ter tanto medo da mudança a ponto de não se permitir uma vida que realmente valesse a pena.

Quem compreende que a vida é um sopro desperta para uma urgência bonita: a de viver o cotidiano com a mesma presença de um fim de semana.

Obviamente, não prego uma vida irresponsável ou sem limites. É natural se preocupar e está tudo bem se dispersar de vez em quando — não se cobre para ser um monge budista em tempo integral. O segredo não é a presença plena e perfeita, mas a capacidade de perceber quando a mente divagou e trazê-la de volta, gentilmente, para o agora.

Minha sugestão para o final desta leitura? Coloque para tocar a música Epitáfio, dos Titãs. Sente-se, respire fundo e ouça cada verso com verdadeira atenção e presença.

No fim das contas, a pergunta que fica é: será que não vale a pena rodar um pouco mais e garantir boas histórias para o livro da sua vida?

 

 

Cintia Luri Muranaga e Oota

Sou ortodontista, analista corporal, formando psicanalista, podcaster e temente a Deus.

 

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