A medicina regenerativa, campo que utiliza células-tronco, plasma rico em plaquetas e outras terapias biológicas para reparar tecidos e órgãos, está ganhando força no Nordeste. Em agosto, dois grandes eventos realizados na Bahia e no Ceará reuniram especialistas e pesquisadores para discutir avanços clínicos e científicos, enquanto o Conselho Federal de Medicina (CFM) publicou normas que regulamentam o uso dessas técnicas no Brasil.
Eventos que marcaram o mês
Em Vitória da Conquista (BA), o I Summit de Cicatrização destacou o papel da oxigenoterapia e da regeneração celular no tratamento de feridas complexas. Já em Fortaleza, o 2º Congresso de Medicina Regenerativa reuniu ortopedistas, anestesiologistas e especialistas em medicina da dor para debater aplicações em casos de osteoartrite, lesões esportivas e problemas de coluna.
Segundo o ortopedista Dr. Ricardo Menezes, que participou do congresso, “a medicina regenerativa representa uma alternativa menos invasiva e mais eficaz para pacientes que sofrem com dores crônicas. Estamos falando de tratamentos que podem reduzir a necessidade de cirurgias e acelerar a recuperação”.
Regulamentação traz segurança
O CFM estabeleceu regras claras para aplicação das terapias, autorizando seu uso em casos como osteoartrite de joelhos, lesões de menisco, lesões discais lombares e epicondilite lateral. Apenas médicos especialistas em neurocirurgia, ortopedia, anestesiologia ou medicina da dor poderão realizar os procedimentos. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Regenerativa, Dr. Paulo Silveira, a regulamentação é um marco: “Com protocolos definidos, conseguimos garantir segurança ao paciente e evitar o uso indiscriminado dessas técnicas”.
Impacto direto nos pacientes
Os avanços já começam a chegar à vida de pessoas comuns. A fisiatra Dra. Camila Andrade, que atua em Salvador, explica: “Muitos pacientes que antes tinham apenas a opção de cirurgia agora podem contar com terapias regenerativas. Isso significa menos tempo de recuperação e mais qualidade de vida”.
Um desses pacientes é José Carlos Ferreira, 58 anos, que sofria de osteoartrite no joelho e participou de um tratamento experimental em Fortaleza. “Eu já não conseguia caminhar sem dor. Depois do procedimento, voltei a andar no parque com meus netos. É como se tivesse ganhado uma nova chance”, relatou emocionado.
Perspectivas futuras
Pesquisadores nordestinos também avançam em estudos de bioimpressão 3D de tecidos vivos, que podem revolucionar cirurgias reconstrutivas e abrir novas possibilidades para pacientes com lesões graves. A expectativa é que, nos próximos anos, o Brasil se alinhe às práticas internacionais, equilibrando inovação com rigor técnico.
